É incrível como um filho automaticamente trás com a sua chegada a nossa autodesvalorização [Mais incrível ainda, é saber que isto é benéfico]. Esta data de hoje quando se repetiu nos anos anteriores, ela me cercava de empolgação, alegria, amigos, copos e mais copos com teor alcoólico seguidos de um sorriso sincero e verdadeiro.
Era maravilhosa a sensação de estar vencendo as turbulências da vida.
Hoje no auge da minha maturidade eu percebo que minha vida foi passada para o segundo plano pelo meu próprio ego.
Nós enfrentamos o mundo, oferecemos a face para uma guerra sem fim, estufamos o tórax para qualquer tipo de preconceito ou riso malicioso, e quando damos de frente com algo tão singelo, nosso gênio indomável vai a nocaute técnico.
Acho incrível como uma cria inocente, sem maldade e sem malícia conseguiu levar a lona, algo tão precioso. [Pois nem os vermes e leões conseguiriam tal façanha].
Deixar de dar importância para a única coisa que temos por direito nossa, é inacreditavelmente espantoso. Hoje a translação não gira para mim. Observo tudo como um espectador protetor. Posso viver o 6 de junho mais 80 vezes, esta data já não encanta-me.
Temos coisas tão belas para valorizar e sempre priorizamos somente nossos interesses, nossos feitos e nossas conquistas. O nascimento da minha filha assassinou meu egoísmo, e renasceu a minha humildade. O nascimento da mesma atropelou meus olhares prepotentes e adicionou simplicidade nos meus gestos. [Me sinto um diamante lapidado no fundo da gaveta.]
É por ela que hoje comemoro meus míseros 25 anos.